sexta-feira, 19 de maio de 2017

O QUARTO SÁBIO - THE FOURTH WISE MAN (1985) - ESTADOS UNIDOS






"Quando fizestes coisas pelo menor dos meus irmãos, fizestes por mim"

Artaban (Martin Sheen) é um médico que descobre, através das antigas profecias, que o messias chegará. Vende todas as suas posses e as transforma em três joias: uma safira, um rubi e uma preciosa pérola. Seus cálculos sugerem o local do nascimento em Jerusalém. Com a bênção de seu relutante pai parte ao encontro dos três reis magos: Gaspar, Belchior e Baltazar para, juntos, procurarem ao rei que governará todo o mundo. As joias serão seu presente. Artaban parte com seu escravo, Orontes (Alan Arkin de “Pequena Miss Sunshine”), em sua jornada. O servo tem a promessa do pai de seu amo que se o acompanhar e o trouxer de volta, em segurança, terá sua liberdade.




No caminho, ao encontro de seus três amigos, a dupla se atrasa para ajudar a um senhor moribundo. Os conhecimentos médicos de Artaban salvam o idoso, fazendo com que percam o encontro, mas descobrem que o Messias deverá estar em Belém e não em Jerusalém. Artaban vende sua safira para comprar camelos e provisões e poder atravessar o deserto ao encontro do maior mestre de todos.



Baseado no livro fictício de Henry Van Dyke (1852 - 1933), "The Story of the Other Wise Man", um clássico da literatura americana, “O Quarto Sábio” narra a trajetória de Artaban e seu fiel servo (fiel, mas louco para voltar e ganhar a liberdade) para encontrarem o Rei de Israel. Um infortúnio impede-os de encontrar o Messias em seu nascimento, com isso ele passa os anos à procura, mas vários eventos o obrigam a dar pausas em suas buscas, sempre ajudando ao próximo e sempre mais longe do seu objetivo. Tanto o livro quanto esta adaptação transmite uma mensagem poderosa: a de ajudar ao próximo. Artaban entende que suas joias seriam o presente que um rei gostaria de receber, mas encontrará uma realidade completamente oposta. Um homem que não necessita de presentes, dinheiro ou posses e cuja  mensagem de amor, paz, compreensão, caridade e perdão são o presente que esse Rei oferece à humanidade. Ele não veio para receber presentes, mas para transmitir a palavra e mostrar ao mundo que Deus ama seus filhos.


O filme não centra na figura de Jesus. A história tem quase sua totalidade na vida de Artaban e sua (interrompida) busca. Ele não hesita em desfazer de suas joias para ajudar a uma pessoa em necessidade ou perigo, como na cena do centurião que busca os recém nascidos sob as ordens de Herodes. Alias o Centurião em questão é nada menos que Charlie Sheen (do seriado Two and a Half Man), filho do ator, fazendo uma participação especial. Pai e filho em cena. 



Ao empreender uma nova viagem, durante 4 anos, chegam ao Egito (numa cena hilária onde Artaban encontra um José, uma Maria e uma criança bem diferente!). A parte cômica do filme fica por conta do ótimo ator Alan Arkin. Ele faz o escravo e tem as melhores tiradas, sempre tentando fazer a cabeça de seu mestre para voltar para a casa, para seu pai e de tabela conseguir a tão prometida liberdade.



A Dupla é assaltada e vai parar numa colônia de leprosos para reaver seus bens. Aqui fica a lição do perdão, da caridade e de ajudar e amar seus inimigos. Artaban não tem o dom da cura, mas pode com suas habilidades médicas amenizar o sofrimento dos que ali estão e ensiná-los a trabalharem em equipe, mas isso lhe custará um preço: seus anos, sua saúde e a perda de seu pai . 




Apesar de ter uma duração curta, em torno de 72 minutos e de ser um filme feito para a Tv, o diretor Michael Ray Rhodes, com uma filmografia quase toda em telefilmes e seriados, conseguiu condensar de uma forma excelente: um ritmo perfeito, que mantém o espectador preso à ótima estória; excelente locação (no Death Valley National Park e Paramount Ranch, na Califórnia) e um elenco de primeira. Perto dos 20 minutos finais surgem as partes mais emocionantes da história: Artaban se descobre próximo a Jesus e sente que pode encontrá-lo. O espectador perceberá algumas passagens bíblicas incorporadas à ficção de uma maneira perfeita. A estória começa a se fechar até o final edificante, não sem antes Artaban novamente salvar ao próximo da maneira como sempre fizera. Sua busca foi em vão? Jesus aceitará o seu presente?



O Quarto sábio é uma produção tão boa que pode chegar a confundir alguns, que poderão acreditar que a estória é verdadeira, principalmente, pelo já citado, incorporamento de momentos bíblicos. Sua força se encontra também no seu elenco:  Martin Sheen e Alan Arkin obtiveram a química perfeita e a veterana atriz Eileen Brennan, no papel de Judith (a líder da aldeia), esteve no mesmo nível de seus companheiros de cena. 



Tudo isso faz com que esta produção seja altamente recomendada para aqueles que gostam de produções caprichadas, quanto aos que buscam um filme religioso. O filme não usa o recurso da violência, como a maioria das produções, e passa uma linda mensagem em forma de experiência pelo que passa o personagem principal. As mensagens são claras e de fácil entendimento. Indicado para todas as idades.

Trailer (em espanhol):



Curiosidades:
Os Filhos de Martin Sheen, Charlie Sheen e Emilio Esteves (Clube dos Cinco) são atores

Eileen Brennan foi indicada ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante pelo filme "A Recruta Benjamin"

Alan Arkin foi indicado 3 vezes ao Oscar: "Os russos Estão Chegando! Os Russos Estão Chegando!" (1966); "Por que tem de ser assim?" (1968) e "Argo" (2012). Ganhou O Oscar de Melhor Ator Coadjuvante por "Pequena Miss Sunshine" (2006)

Sydney Penny (1971), a adolescente que é capturada quase no final do filme, é descendente de índios Cherokee. Voltou-se para seriados e novelas americanas. Esteve em "O Cavaleiro Solitário" ao Lado de Clint Eastwood e no filme infantil A Pirâmide de Cristal (1981)

James Farentino (1938–2012) faz a voz de Jesus no filme. O ator esteve em "Jesus de Nazaré", como Pedro, e foi o protagonista da série televisiva "Trovão Azul" (1984).

Filmografia Parcial:

Martin Sheen


 









Ardil 22 (1970); A Volta de Johnny Bristol (1972); Terra de Ninguém (1973); A Execução do Soldado Slovik (1974); A Travessia de Cassandra (1976); A Menina do Outro Lado da Rua (1976); Apocalypse Now (1979); Nimitz - De Volta ao Inferno (1980); Gandhi (1982); Um Homem, Uma Mulher E Uma Criança (1983); A Hora da Zona Morta (1983);  Chamas da Vingança (1984); O Guardião (1984);  O Quarto Sábio (1985); Adoradores do Diabo (1987); Marcas de uma Paixão (1987); Wall Street: Poder e Cobiça (1987); Tortura Silenciosa (1993); O Silêncio Mortal (1994); Meu Querido Presidente (1995); Celebração dos Anjos: A História de Dorothy Day (1996); Últimas Conseqüências (1997); Spawn: O Soldado do Inferno (1997); Jogo de Intrigas (2001); Prenda-me Se For Capaz (2002); Cidade do Silêncio (2006); Os Infiltrados (2006); A Chamada (2009); O Amor Acontece (2009); O Espetacular Homem-Aranha (2012); Procura-se um Amigo para o Fim do Mundo (2012); O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro (2014); Trash: A Esperança Vem do Lixo (2014); Bhopal: A Prayer for Rain (2014); L.M. Montgomery's Anne of Green Gables: The Good Stars (2017)


Alan Arkin


 









Os russos Estão Chegando! Os Russos Estão Chegando! (1966); Ardil 22 (1970); Visões de Sherlock Holmes (1976); O Jovem Lobisomem (1981); O Quarto Sábio (1985); Fuga de Sobibor (1987); Edward Mãos de Tesoura (1990); Havana (1990); O Sucesso a Qualquer Preço (1992); O Anjo da Guarda (1994); O Que É Isso, Companheiro? (1997); Gattaca - Experiência Genética (1997); Anjo de Vidro (2004); Pequena Miss Sunshine (2006); Firewall - Segurança em Risco (2006); O Suspeito (2007); Agente 86 (2008); Marley & Eu (2008); Argo (2012); Despedida em Grande Estilo (2017)

Eileen Brennan (1932–2013) 

 






 



A Última Sessão de Cinema (1971); Golpe de Mestre (1973); Crime e Paixão (1975); Assassinato por Morte (1976); A Recruta Benjamin (1980); O Quarto Sábio (1985); Os 7 Suspeitos (1985); Stella - Uma Prova de Amor (1990); Loucos de Paixão (1990); Olhos Famintos (2001); Halloween Macabro (2004); Miss Simpatia 2: Armada e Poderosa (2005); Naked Run (2011).

quarta-feira, 17 de maio de 2017

O HOMEM QUE VIU O INFINITO / THE MAN WHO KNEW INFINITY (2015) - REINO UNIDO / ESTADOS UNIDOS





"Conhecimentos Preciosos Vem das Origens Mais Modestas"
Srinivasa Ramunujan (Dev Patel) é  um jovem com uma habilidade incrível: sem possuir uma educação formal, é capaz de desenvolver fórmulas  matemáticas complexas.  Vivendo em uma Índia às portas da primeira guerra mundial e ainda colônia inglesa, tenta sem sucesso buscar alguém que possa ler seus manuscritos, que acredita possuir resoluções de algumas das questões matemáticas mais complexas da época. Quando um amigo envia para a Trinity College, em Cambridge, algumas de suas anotações, chama a atenção de G.H. Hardy (Jeremy Irons), um renomado estudioso da área. Cético, ele acredita que possa estar diante de um embuste, mas convida o jovem até a Inglaterra a fim de descobrir quem seria o autor de tais manuscritos.

Ramunujan chega a Inglaterra e percebe-se vítima de desconfiança e preconceito por parte de alguns integrantes do colégio. Hardy e seu melhor amigo, Littlewood (Toby Jones), passam a conviver com o jovem indiano e tentam entender como, sem conhecimentos elevados de matemática seria capaz de fórmulas inovadoras, capazes de abrir uma nova visão sobre teorias complexas e ainda não descobertas pelas maiores cabeças pensantes do mundo nesta área.


Cinebiografia de  Srinivasa Ramunujan (19887-1920) um dos maiores gênios matemáticos, responsável por dar um salto quantitativo sobre os estudos da teoria analítica dos números, funções elípticas, frações contínuas e séries infinitas.  O filme centra nos personagens de Jeremy Irons e Dev Patel mostrando a relação dos dois no campo da matemática e da amizade. 


Hardy é frio, cético e ateu. Trabalha com os números e tenta decifrá-los. Ramunujan  interpreta seu dom como uma força divida, um presente dos deuses, já que não sabe como explicar sua amplificada capacidade de raciocínio. Ou seja: não é apenas um choque de costumes,  é um confronto de religiosidade: Ateu versus religioso. Um tem sua teoria do porque Deus não existe (mas se mostra supersticioso), o outro vê exatamente o contrário. O filme permanece nessa questão ainda que bem nas entrelinhas.


O diretor Matt Brown,  em seu segundo longa, trouxe um filme muito interessante. Ramunujan abandona seus costumes e casamento (temporariamente) para ir em busca de um sonho e provar que suas análises são precisas. Hardy já fizera a mesma coisa: abandonara uma vida comum, um casamento, amigos (estes aspectos ficam subentendidos) em prol da matemática. Ela é a sua fiel companheira com quem está casado há anos. Amigo de verdade, apenas Littlewood. Ramunujan apresenta suas fórmulas, mas não é o bastante. Hardy quer provas contundentes se o que está lendo funcionará realmente. Não quer ser enganado nem ser percebido como tolo em apoiar ideias que, no futuro, se revelarão equivocadas. Até mesmo para quebrar o ceticismo da academia e de seus membros. Enquanto isso o jovem matemático continua encantando (não a todos) com suas fórmulas e equações, além da velocidade com que expõe e abre novos caminhos a problemas analisados há séculos. Mas a sua saúde encontra-se seriamente abalada.

O Homem Que Viu o  Infinito (podemos entender que se trata de seu trabalho sobre “as séries infinitas”) tem um bom ritmo, mas há alguns “problemas” na condução da história que poderiam ter sido melhor lapidados: o filme deixa a desejar quando entrar no campo da matemática. Tirando apenas uma explicação de Hardy ao mordomo (leia-se espectador), sobre uma teoria, o filme passa por cima daqueles que não dominam a matemática, levando a "jargões" técnicos, mas nada que impeça alguém de entender o que está acontecendo, visto que a ideia central foi focar mais na relação da dupla central e o entendimento de Hardy da importância do trabalho de Ramunujan.



O elenco está muito bem. Dev Patel é um ótimo ator e vem crescendo a cada trabalho. Jeremy Irons rouba o filme, o que poderia ser considerado complicado, visto que a história não é centrada em seu personagem, mas o ator é muito bom e equilibra bem a história com a composição de seu personagem. Toby Jones completa o trio como o melhor amigo de Hardy. O restante do elenco não compromete.


Vale muito a pena dar uma conferida nesta bela biografia de dois dos personagens mais interessantes do início do século passado, cujos estudos influenciaram gerações de matemáticos. A produção é refinada, a fotografia é ótima e o elenco muito bem escalado. Diversão de qualidade.

Trailer:





Curiosidades:
No filme "Uma Mente Brilhante" (1997), o personagem de Robin Williams cita  o nome de Ramunujan para o personagem de Matt Dillon.

Ramanujan morreu em 1920, aos 32 anos. Sua esposa faleceu em 1994, aos 95 anos. Segundo a tradição, nunca voltou a se casar.

Na vida real Ramanujan casou com sua esposa quando esta tinha apenas 10 anos e ele 21 anos,  mas somente quando esta completou 12 anos foi que puderam viver juntos.

Os  matemáticos Ken Ono e Manjul Bhargava colaboraram no filme.

Baseado no livro "The Man Who Knew Infinity" de Robert Kanigel.

Apesar de o personagem de Bertrand Russell estar no filme, nada é citado sobre sua obra e importância. 

O produtor Edwar R Pressman produziu vários filmes famosos: "O Barco: Inferno no Mar"; "Conan, o Bárbaro"; "Wall Street: Poder e Cobiça"; "Psicopata Americano"; "Obrigado por Fumar"; "Almas Gêmeas"...

  
Jeremy Irons ganhou o Oscar de Melhor Ator por "O Reverso da Fortuna" de 1990.


Dev Patel foi indicado ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante por "Lion"  de 2016.

 
Filmografia Parcial: 
Jeremy Irons
 

 









A Mulher do Tenente Francês (1981); A Missão (1986); Gêmeos - Mórbida Semelhança (1988); O Reverso da Fortuna (1990); Perdas e Danos (1992); A Casa dos Espíritos (1993); Duro de Matar 3: A Vingança (1995); A Máquina do Tempo (2002); Cruzada (2005); Eragon (2006); As Palavras (2012); O Homem que viu o Infinito (2015); Batman vs Superman: A Origem da Justiça (2016); Assassin's Creed (2016); Liga da Justiça (2017).

Dev Patel
 

 








Quem Quer Ser um Milionário? (2008); O Último Mestre do Ar (2010); O Exótico Hotel Marigold (2011); Chappie (2015); O Homem que viu o Infinito (2015); Lion: Uma Jornada Para Casa (2016); Hotel Mumbai (2017).

Toby Jones
 

 










Orlando - A Mulher Imortal (1992); Os Miseráveis (1988);  Joana D'Arc (1999); O Violinista que Veio do Mar (2004); O Despertar de Uma Paixão (2006); O Nevoeiro (2007); Cidade das Sombras (2008); Frost/Nixon (2008); W.(2008); O Ritual (2011); Capitão América: O Primeiro Vingador (2011); O Espião Que Sabia Demais (2011); Poder Paranormal (2012); Jogos Vorazes (2012); Branca de Neve e o Caçador (2012); Jogos Vorazes: Em Chamas (2013); Capitão América 2: O Soldado Invernal (2014); No Rastro da Bala (2014); Serena (2014); O Homem que viu o Infinito (2015); Jogos Vorazes: A Esperança - O Final (2015); Morgan (2016); Atômica (2017).

DEZ MINUTOS PARA MORRER / TEN TO MIDNIGHT (1983) - ESTADOS UNIDOS




Justiça à la Charles Bronson

O veterano sargento da divisão de homicídios Leo Kessler (Charles Bronson) e o jovem detetive Paul McAn (Andrew Stevens), investigam o caso de um serial killer que passa a atacar mulheres sem deixar pistas. Quando a dupla descobre que uma das vítimas registrava seus encontros e sua vida, um suspeito aparece no caso: Warren Stacy (Gene Davis), um assassino metódico com uma forte vontade de esfaquear e matar mulheres que rejeitam suas investidas. O problema é que ele possui um álibi que lhe impede a prisão. Só que Kessler tem plena certeza de que está diante do verdadeiro suspeito. O cerco se fecha, mas Warren continua se esquivando da lei. Para impedir o assassino de aumentar o seu número de vítimas, Kessler faz algo completamente reprovável: cria provas falsas. A ação dá errado e ainda coloca a filha do veterano detetive (Lisa Eilbacher) na mira de Warren.


Em sua nona parceria com o diretor J. Lee Thompson (1914 – 2002), Dez Minutos Para Morrer apresenta um produto bem encorpado e bem dentro daquilo que Bronson mostrou a partir de um certo período de sua carreira: o vingador solitário da franquia "Desejo de Matar" ou seus personagens policiais capazes de irem até as últimas consequências para fazerem justiça. Aqui, para o deleite de seus inúmeros fãs, não foi diferente. O ator estava "em plena forma" em um filme policial que prende do início ao fim. 


Um filme politicamente incorreto sem dúvida, mas as produções dos anos oitenta tinham muito disso. E faziam sucesso. Depois que Hollywood resolveu usar um padrão "de correção" para os seus filmes, muitas produções deste tipo foram sucumbindo. A questão principal do filme poderia ser: até que ponto usar métodos reprováveis para colocar um culpado na cadeia pode ser considerável válido? Mesmo que esse suspeito deva ir para a cadeia com provas forjadas? Essa é uma questão que muitos dirão ser sem sentido aqui, pois o filme seria apenas um veiculo para o ator e o diretor lançarem seus filmes. Mas a discussão é válida sim e, de acordo com o país do espectador, poderemos nos surpreender com a resposta. É a dualidade da vida em países com baixa criminalidade e, outros,  com alto grau de violência.


O roteiro tendencia a opinião do espectador ao mostrar Warrren e seus crimes desde o início. Ele é culpado e ponto. Deve ser preso. A justiça  é lenta e cheia de brechas. Kessler  resolve solucionar a equação e aplica o que entende como uma solução para uma justiça que falhou. Criou provas que ligam Warren incontestavelmente aos assassinatos. Mas esse método é  válido? Kessler, que  já viu vários escaparem das mãos da justiça, acha correto. Para o jovem Paul é uma atitude que um policial jamais deveria ter: produzir provas é um crime. E sua função não é combater o crime? O método de Kessler seria imperdoável ou justificado? E se o espectador não soubesse que Warren era culpado? E se o investigador estivesse errado? 
Bom o filme não está voltado a centralizar esta questão, por isso não há muito tempo para entrar em elucubrações. O roteiro ágil de Thompson quer avançar e colocar o jogo de gato e rato num ritmo mais frenético. E é o que oferece. A partir do meio do filme a trama ganha velocidade e nos brinda com um final bem interessante, impactante, bem diferente do habitual. Não do habitual de Bronson.


Quanto ao elenco, houve uma boa escalação dos atores,  ainda que seja centrada basicamente na personagem de Bronson. Andrew Stevens fez filmes interessantes, como "A Fúria" e "Perseguição Mortal". Hoje tem uma produtora própria, responsável pela produção e direção de vários filmes. Ainda está em atividade como ator. Gene Davis caprichou no seu psicopata. O ator estrelou até 2010 muitos telefimes, assinando como Eugene Davis e esteve em filmes como "A Morte Pede carona" e "Soldado Universal". Lisa Eilbacher é uma ótima atriz e não decepcionou: ficou conhecida por suas participações nos filmes "A Força do Destino" e "Um Tira da Pesada". Seu rosto é muito conhecido dos mais antigos por suas participações especiais em vários seriados dos anos 70 e 80. O último trabalho da atriz, na área, foi em 2000. Geoffrey Lewis (do interessante filme "O Aniquilador") e  "Wilford Brimley" (do divertido "Remo - Desarmado e Perigoso") aparecem rapidamente, mas com boa contribuição.  A atriz Kelly Preston (assinando como as Kelly Palzis) aparece no fim como uma das vítimas do serial killer.


Dez Minutos Para Morrer é um eficiente thriller policial, cuja função primordial sempre foi mais divertir do que levar a reflexão e, se esta ocorre, é devido a parceira de Thompson no roteiro com William Roberts (1913–1997) (escritor de filmes como "Sete Homens e Um Destino" e "Sol Vermelho". Roberts teria se inspirado em crimes sexuais que lera e os adaptou ao filme. Aliado a fotografia de Adam Greenberg ("Exterminador do Futuro 1 e 2" e "Ghost: do Outro Lado da Vida") e a edição de Peter L. Thompson (filho do diretor), editor de Filmes como: "O Exorcista III"; "Guerreiro Americano" e "Desejo de Matar 4 - Operação Crackdown" o filme é um bom passatempo com um Charles Bronson, aos 62, anos em plena forma.



Curiosidades:
O nome real de Charles Bronson era Charles Dennis Buchinsky. Sua morte, aos 81 anos, deveu-se a uma pneumonia agravada pelo mal de Alzheimer.
Lisa Eilbacher nasceu na Arábia Saudita.
O título inicial do filme era "Bloody Sunday".
Nos cinemas brasileiros passou como "10 Minutos Para Morrer", posteriormente, o filme passou a ser chamado de "Dez Minutos Para Morrer".
O filme estreou no Brasil em 1985.


Filmes de J. Lee Thompson e Charles Bronson:
Cabo Blanco (1980);
Cinco Dias de Conspiração (1976);
O Grande Búfalo Branco (1977);
Dez Minutos Para Morrer (1983)
Justiça Selvagem (1984);
O Vingador (1986);
Desejo de Matar 4 - Operação Crackdown (1987)
Mensageiro da Morte (1988);
Kinjite - Desejos Proibidos (1989).


Filmografia Parcial:
Charles Bronson  (1921–2003):

 








Vera Cruz (1954); Sete Homens e um Destino (1960); Fugindo do Inferno (1963); Os Doze Condenados (1967); Era uma Vez no Oeste (1968); O Passageiro da Chuva (1970); ; Assassino a Preço Fixo (1972); Desafiando o Assassino (1974); Desejo de Matar (1974); Lutador de Rua (1975); O Grande Búfalo Branco (1977); Desejo de Matar 2 (1982); Desejo de Matar 3 (1985); O Vingador (1986); Assassinato nos Estados Unidos (1987); Desejo de Matar 4 - Operação Crackdown (1987); Kinjite - Desejos Proibidos (1989); Desejo de Matar V (1994).

Andrew Stevens

 










Shampoo (1975); Os Rapazes da Companhia C (1978); A Fúria (1978); Perseguição Mortal (1981); Sedução Fatal (1982); Dez Minutos Para Morrer (1983);  Ira de Mutantes (1989);  Olhos Noturnos (1990); Ira de Mutantes 2 (1991); Olhos Noturnos 2 (1991); Olhos Noturnos 3 (1993); Uma Paixão Incontrolável 4 (1995); Olhos Noturnos 4 (1996); Ação Secreta (1999); Agente Vermelho (2000); O Atirador: Apontando Para a Morte (2005); O Forasteiro 2 (2005); Com as Próprias Mãos 3: Vingança Solitária (2007); O Retorno dos Vermes Malditos (2010)


Lisa Eilbacher 



Corrida Para a Vitória (1977); A Força do Destino (1982); Dez Minutos Para Morrer (1983); Um Tira da Pesada (1984); Leviathan (1989); O Detonador de Alta Voltagem (1992); Nas Teias da Corrupção (1992); O retorno de Hunter (1995).



Kelly Preston

 









Dez Minutos Para Morrer (1983); Christine, O Carro Assassino (1983); A Primeira Transa de Jonathan (1985); Admiradora Secreta (1985); As Amazonas na Lua (1987); Feitiço Diabólico (1988); Irmãos Gêmeos (1988); Os Espertinhos (1989); Fugindo Para Viver (1991); Um Drink no Inferno (1996); A Reconquista (2000); Na Linha da Morte (2004); Sentença de Morte (2007); The Life and Death of John Gotti (2017)


Gene Davis 

 








Parceiros da Noite (1980); Jogos Noturnos (1980); Dez Minutos Para Morrer (1983); A Morte Pede Carona (1986); Contato Mortal (1988); Soldado Universal (1992); A Relíquia (1997); Medo X (2003); A Rosa Negra (2005); Ataque dos Tubarões (2008).


Geoffrey Lewis (1935–2015) 

 







O Estranho Sem Nome (1973); Meu Nome é Ninguém (1973); Quando as Águias se Encontram (1975); Doido para Brigar... Louco para Amar (1978); Bronco Billy (1980); Punhos de Aço - Um Lutador de Rua (1980); Eu, O Juri (1982); Dez Minutos Para Morrer (1983); O Aniquilador (1986); O Passageiro do Futuro (1992); Fuga Mortal (1993); O Homem Sem Face (1993); Caninos Brancos 2: A Lenda do Lobo Branco (1994); Maverick (1994); Uma Secretária de Morte (2010). 

Wilford Brimley

 








Bravura Indômita (1969); A Síndrome da China (1979); A Síndrome da China (1979); Brubaker (1980);  Ausência de Malícia (1981); O Enigma de Outro Mundo (1982); Na Rota do Oriente (1983); A Força do Carinho (1983); Dez Minutos Para Morrer (1983); Um Hotel Muito Louco (1984); Remo - Desarmado e Perigoso (1985); Cocoon (1985); Fibra de Heróis (1987); Cocoon II - O Regresso (1988);  A Firma (1993); Será Que Ele É? (1997);  Cadê os Morgan? (2009); Masque (2012).